Quando comecei a gostar de documentários coletivos as pessoas me preveniram: “isso não costuma dar certo, cada diretor tem uma idéia muito diferente, o organizador não consegue costurar os curtas e a diferença de qualidade entre as partes gera um produto normalmente ruim”. Não acreditei logo de cara, porque vi “Crianças Invisíveis” e gostei bastante do resultado.
Logo depois, durante as aulas da pós-graduação, vi três trechos de “11 de setembro” e também achei muito bom! Quando “Paris, eu te amo” chegou ao Brasil corri pra ver e entendi um pouco das críticas aos coletivos, mas mesmo assim continuei pensando que uma maioria de curtas bons salva qualquer película.
Com “Bem-vindo a São Paulo” tive uma desagradável surpresa.
Era feriado e o Centro Cultural São Paulo estava lotado. Tivemos que chegar bem antes porque as entradas foram distribuídas gratuitamente. Aproveitamos para passar na exposição permanente das Missões Folclóricas (tema para outra resenha) e depois assistimos à belíssima apresentação de Kagura, teatro popular típico do Japão, que se apresentou por ocasião da comemoração dos 100 anos de imigração japonesa no Brasil (pode me chamar do que quiser, mas chorei com o senhor japonês com uma máscara no rosto dançando na minha frente ao som daquela música mágica).
Na fila para a sessão de cinema, uma mãe com uma pequena nos braços nos chamou a atenção. “Ela fica quietinha, pode ficar tranquila”, disse ela na bilheteria. Nos entreolhamos. Sorri. Pensei na aventura que seria uma criança tão pequena vendo filme de gente grande. Enganei-me.
Com a seqüência de cenas de São Paulo, confesso que me distraí no início. Havia algo de novo naquelas imagens antigas. Depois de alguns minutos, cansei. Esforcei-me para encontrar nexo nos curtas, ajeitei-me na cadeira pouco confortável e fixei os olhos no detalhes. Nada.
A cada final de curta, a pequena vibrava: “Acabou, mãe! Acabou!”.
Não, infelizmente não acabou.
O filme é longo, chato, burocrático, nada criativo.
Dois ou três diretores conseguem algo melhor, mas confesso que nem lembro dos trechos, porque ficaram perdidos no meio do nada.
Esperava algo interessante do renomado Amos Gitai, mas parece que ele tinha muita pressa para ir embora do Brasil e não se dedicou como devia aos seus minutos de vídeo.
Resumindo: “Bem-vindo a São Paulo” é um filme chato e a mãe teve que sair antes da sala de exibição com sua criança para impedir que todos no cinema (eu disse: todos!) rissem de suas interferências a cada corte. “Acabou, mãe! Acabou!”. Todos não viam a hora de que realmente acabasse.

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